Relatos publicados em 1º de outubro de 2026 apontam que alguns credores questionam se as GPUs manterão valor residual e gerarão receita por tempo suficiente para servir de garantia em empréstimos de longo prazo. Também há relatos de que alguns prefeririam proteções mais robustas. A dúvida afeta a forma de avaliar o risco de crédito — não muda a meta de financiamento que a NVIDIA havia anunciado em agosto.
Por que os credores questionam o plano da NVIDIA
O valor residual é quanto um equipamento pode valer depois de algum tempo de uso. Para quem empresta, essa estimativa ajuda a avaliar o quanto a garantia poderia cobrir da dívida. Também importam os compromissos dos clientes e o fluxo de caixa esperado: a receita gerada pela computação precisa sustentar os pagamentos previstos.
A NVIDIA afirma que seus parceiros avaliam cada oportunidade de forma independente, considerando compromissos de clientes, fluxo de caixa esperado e valor residual. A empresa sustenta que sua computação pode apoiar financiamentos de longo prazo.
O que a NVIDIA anunciou com os parceiros financeiros
Em 10 de agosto de 2026, a NVIDIA anunciou memorandos de entendimento com Apollo, BlackRock, Blackstone, Brookfield, Goldman Sachs e KKR para criar plataformas independentes de financiamento de infraestrutura de computação para IA. A proposta prevê pools de capital dedicados a clientes como laboratórios de IA, empresas e provedores de nuvem para IA.
A meta anunciada é mobilizar mais de US$ 500 bilhões em capital de terceiros ao longo do tempo. Naquele anúncio, os acordos definitivos ainda estavam sujeitos à formalização. O valor é uma ambição de mobilização de capital, não uma descrição de um empréstimo específico.
O que a vida útil das GPUs tem a ver com o crédito
A NVIDIA argumenta que GPUs de ponta podem gerar receita por até uma década. Em contraste, um gestor de carteira afirmou que bancos costumam aplicar às GPUs um cronograma de depreciação de três a quatro anos. Depreciação contábil e potencial de geração de receita são medidas diferentes: uma não determina, por si só, a outra.
A NVIDIA também citou estudos de terceiros segundo os quais algumas grandes empresas de nuvem ampliaram de três a quatro para cinco a seis anos os prazos de depreciação de servidores. Esse dado se refere a servidores e a períodos contábeis, não à vida útil comprovada de cada GPU.
Qual pode ser o papel das garantias
A NVIDIA teria indicado que algumas operações poderiam incluir garantias de valor residual de, no máximo, 25%. Em outras operações ainda em negociação, poderiam entrar garantias mais fortes, contratos com clientes e apoio da própria NVIDIA. Esses mecanismos são possibilidades para operações específicas; a iniciativa não estabelece uma garantia uniforme para todos os empréstimos.